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domingo, 8 de abril de 2007

Debate: REFORMA UNIVERSITÁRIA: Será o fim da Universidade Pública?

Leia e repasse!!

Falta de bolsas de pesquisa e de concursos para professores, filas no RU, pouquíssimas vagas e situação precária nas moradias estudantis, empresas privadas na UFSC: você faz parte desta realidade? Você vê a cada ano que passa uma desvalorização maior da Educação Pública e o crescimento desenfreado do ensino privado?

Venha para a Discussão!!

Ensino à Distância, ProUni, Universidade "Nova"...
REFORMA UNIVERSITÁRIA:
Será o fim da Universidade Pública?
com representantes do ANDES (Associação Nacional dos Docentes), Frente Nacional de Luta Contra a Reforma Universitária e SINTUFSC

Quinta, 12/04
18h30 no
Auditório do Centro Sócio-Econômico (CSE)

Organização:
CAs de Arquitetura, Economia, Enfermagem, Letras e Serviço Social

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Jornal do CALCS : ATUALIDADE E FUTURO DO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO

Pessoal!!
Estou enviando o texto que eu fiquei de fazer sobre a situação da UniVersidade Brasileira. Leiam, critiquem, de suas opiniões e alterações, pra nós preparar pro boletim dos calouros no semestre que vem.

ATUALIDADE E FUTURO DO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO
Na ansiedade de se conhecer a situação e as condições pelas quais está passando a UFSC e o curso de Ciências Sociais, o calouro já deve ter ouvido falar do desmonte da universidade através dos constantes cortes orçamentárias na área da educação. Também já deve ter ouvido da pretensa qualidade, que apesar de tudo ainda é superior aos das universidades privadas, respondendo por mais de 90% das pesquisas feitas no Brasil. Além disso, conta com mais bolsas de iniciação cientifica e contem ainda os parcos direitos estudantis, que teimam em existir pela resistência estudantil.
E o que dizer da missão exposta pela UFSC: "Produzir, sistematizar e socializar o saber filosófico, científico, artístico e tecnológico, ampliando e aprofundando a formação do ser humano para o exercício profissional, a reflexão crítica, solidariedade nacional e internacional, na perspectiva da construção de uma sociedade justa e democrática e na defesa da qualidade de vida"(1). Será que na prática, isto é realmente exercido pela instituição?
E em quais condições calouro? Você já buscou se interar dos direitos estudantis que tem por finalidade garantir a permanência dos estudantes de baixa ou nenhuma renda nessa universidade (Bolsas, Restaurante Universitário, Moradia Estudantil, etc.) Dos objetivos e finalidades dos projetos de pesquisa e extensão do curso de ciências sociais e da UFSC como um todo? Você já ouviu falar em Reforma Universitária, privatização da universidade, fundações de apoio, Universidade Nova, e demais projetos referentes à educação superior?
As Universidades Públicas brasileiras vem sofrendo nos últimos tempos constantes ataques, interferindo inclusive na sua gratuidade. Já existem cursos extracurriculares e algumas pós-graduações pagas, o que fere a constituição. Esses ataques vêm principalmente influenciados pela política internacional financiadora do grande capital, que deseja arduamente abrir todas as brechas para o capital privado, que vai desde a maquina de xérox, até a implantação de um laboratório da EMBRACO em pleno campus universitário (2).
A Lei de inovação tecnológica permite que qualquer um de nossos professores crie uma pequena empresa sem se licenciar de seu cargo de professor, entregando de bandeja toda inovação tecnológica que tenha produzido, ao mercado. O PROUNI é uma benção para os estudantes de baixa renda que desejam fazer uma universidade, mas a arrecadação que isenta as universidades privadas, poderia criar muito mais vagas nas universidades públicas (A Associação Nacional dos Reitores- ANDIFES- fala em 400 mil ao invés dos 112 mil beneficiados pelo PROUNI). O Ensino à Distância (EaD) promete expandir as vagas das universidades para todos os cantos do país, sendo que essa “modalidade de ensino” apenas se baseia no pilar do ensino, depreciando a pesquisa e extensão. Esses são só alguns exemplos de propostas da atual Reforma Universitária, atualmente tramitando no congresso, que já estão em vigor a partir de decretos e medidas provisórias. Com a aprovação completa da PL 7200/06(3), o quadro tende a se agravar já que as irregulares Fundações de apoio (administradoras de direito privado, do dinheiro público na universidade, que lucram muito e não fazem prestação de contas nenhuma) serão regularizadas; o capital estrangeiro se beneficiará com a possibilidade de comprar até 30% da universidade; as Parcerias Público Privadas (PPPs) serão formalmente estabelecidas, fazendo com que todos os laboratórios sejam sucursais das grandes indústrias, para aproveitaram da infra-estrutura, dos bolsistas e do nome da instituição.
Essas medidas, a princípio, parecem inofensivas e até bastante avançadas, mas as conseqüências se espelham na falta de recursos para direitos estudantis, e para os projetos de pesquisa e de extensão que sejam realmente para solucionar os problemas da sociedade. Em conseqüência mais grave, o ensino é cada vez mais prejudicado já que logo podemos ser ensinados por televisores (Hoje a graduação já é deixada de lado pelos professores), ou por professores cada vez mais desmotivados, e nós lutando pra permanecer nessa universidade.
Ainda não foi tudo. Um projeto do reitor da UFBA, chamado “Universidade Nova” (4) e que já está prestes a ser aprovada para se iniciar em 2008, com mais 10 universidades, vem com o intuito de descaracterizar ainda mais a educação. Esse projeto consiste em criar os bacharéis interdisciplinares (BI), que serão um tipo de formação continuada do segundo grau, garantindo a distribuição ilimitada de diplomas. Ele pretende massificar as vagas, já que as aulas vão poder suportar mais de 100 pessoas e o ensino é o mesmo pra todo mundo. Garante duas bandeiras do movimento estudantil de uma vez só: acaba com o vestibular, impondo o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como processo de seleção, e pretende dobrar o número de vagas nas universidades federais, deixando de lado a qualidade que ainda se caracteriza nessas universidades.
O pior fica para o acesso aos cursos de formação profissional que serão a continuação desse BI. O acesso seria com base meritocrática, impondo aos alunos uma concorrência desleal, em que o aluno de maior nota e é claro de concordância com o professor, ficaria com a vaga. A ferramenta primordial no ensino emancipatório, a crítica, ficaria de fora (5).
Nesse processo todo de desmantelamento da educação publica as conseqüências posteriores, serão com o desmonte total do ensino público, priorizando alguns centros de excelência e a posterior cobrança de mensalidades que serão consolidadas no aprofundamento dessas medidas que vão desgastando os movimentos estudantis, docentes e dos trabalhadores.
Esse prognóstico, calouro, não é um alarde pessimista, mas sim uma avaliação de que algo precisa ser feito. Que os estudantes têm uma missão urgente na defesa de uma educação voltada aos interesses do povo, que permite aos cidadãos o exercício da crítica, que potencialize nossas aptidões criativas nas áreas artísticas, cientificas e políticas. Para isso precisamos defender a universidade pública e gratuita, e ao mesmo tempo, já pensarmos em um projeto diferente, que não atenda mais os anseios do capital, mas sim a aqueles que o criam, os trabalhadores.
É para isso também que nosso Centro Acadêmico Livre serve como um espaço de resistência e luta, conquistado e reconquistado a duras penas. Venha e participe na construção de um curso mais critico e criador.
Notas:
(1) http://www.ufsc.br no link “missão’.
(2) Realmente existe um prédio que serve como laboratório dessa empresa, em frente ao departamento de arquitetura.
(3) Para se compreender melhor o que quer dizer esse projeto verificar em http://www.andes.org.br/imprensa/arquivo/default_reforma_universitaria.asp, principalmente a última circular que fala exclusivamente do projeto de lei 7200/2006.
(5) É exemplar a frase do projeto: “Aluno(a)s com excepcional talento e desempenho, se aprovados em processos seletivos específicos, poderão ingressar em programas de pós-graduação, como o mestrado profissionalizante ou o mestrado acadêmico, podendo prosseguir para o Doutorado, caso pretenda tornar-se professor ou pesquisador.” Quem irá medir esse “excepcional” talento?

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Plano Universidade Nova - Fast delivery' diploma: a feição da contra-reforma da educação superior

Pessoal!!
Analise importante do prof. Roberto Leher, sobre a Universidade Nova
DEBATE ABERTO
'Fast delivery' diploma: a feição da contra-reforma da educação superior
Diante do projeto "Universidade Nova", apresentado pelo Reitor da UFBA, a comunidade universitária, os movimentos sociais e setores sociais não podem se furtar da luta para impedir que a velha agenda destrua as universidades públicas.
Roberto Leher
O intento de anunciar um marco temporal com o adjetivo "novo" é uma prática usual na política, utilizada, em geral, para ocultar vínculos indesejáveis com uma situação anterior: Estado Novo, Nova República... Os exemplos são inúmeros. Também nas políticas de educação superior o uso do referido adjetivo é recorrentemente utilizado. Na "Nova" República, na gestão de Jorge Bornhausen no MEC (14/02/86 a 05/10/87), para enfraquecer o pujante movimento que reivindicava a democratização da universidade, o governo lançou o projeto "Nova Universidade" (Geres) que institucionalizava muitos dos aspectos da contra-reforma de 1968. A seguir, no governo Collor, o ministro Carlos Chiarelli (15/03/90 a 21/08/91) apresentou a proposta de "Uma 'nova' política para o Ensino Superior". No governo Lula da Silva, o "novo" muda de lugar passando a ser posposto, e o projeto é então denominado "Universidade Nova", proposta apresentada publicamente pelo Reitor da UFBA, mas que em tudo coincide com as proposições do MEC (nota 1).

O que justifica o uso dessa qualificação pelos "reformistas" Bornhausen, Chiarelli e Genro-Haddad? A constatação de que a universidade brasileira não está em sintonia com os anseios da sociedade (com Bourdieu, leia-se, do mercado). O maior problema, salientam, é o bolor europeu que recobre a universidade pública, sinal evidente de seu envelhecimento. O diagnóstico é o mesmo do Banco Mundial em seu tristemente famoso "O BM e o Ensino Superior: Lições Derivadas da Experiência" (1994): as universidades públicas, gratuitas, assentadas na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão não servem para a América Latina. Os governos da região deveriam adotar um modelo mais simplificado em instituições não universitárias e, preferencialmente, privadas ou resultantes de parcerias público-privadas a exemplo do Prouni.

Em todos os intentos de contra-reformas dos anos 1980, 1990 e 2000, o objetivo foi ajustá-las às necessidades da sociedade (mercado). Mas como aproximá-las do mercado capitalista dependente sem o risco de uma onda de críticas e mobilizações dos segmentos que insistem que a universidade pública não é uma instituição de e para o mercado? No caso da última moda, a Universidade Nova, a idéia, conforme os seus proponentes, é moldar a "concepção acadêmica" a um contexto que, por força das "demandas da Sociedade do Conhecimento e de um mundo do trabalho marcado pela desregulamentaçã o, flexibilidade e imprevisibilidade, certamente se consolidará como um dos modelos de educação superior de referência para o futuro próximo" (nota 2).

Mais claro impossível: o objetivo é converter o conhecimento em mercadoria ou em insumo para agregar valor a uma mercadoria, conforme requer a dita sociedade do conhecimento. Ora, conforme estudo de Mansfield (nota 3), as inovações tecnológicas não são feitas na universidade, mas na empresa. Assim, o objetivo da Universidade Nova é completamente estranho ao necessário debate sobre a função social das universidades no século XXI (e também ao próprio problema da inovação tecnológica realizada fora da universidade) . Se essa primeira indicação não bastasse, o projeto assume, ainda, que a universidade deve formar recursos humanos para um mundo do trabalho desregulamentado e flexível, expressões eufêmicas para designar trabalhadores sem direitos e precarizados. Novamente, cabe indagar: é esse o objetivo da universidade?

Na prática, como seria a "Universidade Nova"? Em termos gerais, a proposta prevê os "Bacharelados Interdisciplinares (BI) que irão propiciar formação universitária geral, como uma pré-graduação que antecederá a formação profissional de graduação e a formação científica ou artística da pós-graduação" (nota 4). A versão do MEC propugna que parte dessas poucas disciplinas deverá ser ministrada por meio de educação a distância, mesmo nos cursos presenciais. Ao final dessa rebaixada formação "o aluno da Universidade Nova poderá enfrentar o mundo do trabalho, com diploma de bacharel em área geral de conhecimento (Artes, Humanidades, Ciências, Tecnologias) " (nota 5).

Com esses cursos invertebrados de curta duração (3 anos), seria possível massificar o acesso ao ensino superior (117% até 2012) (nota 6), reduzindo a pressão por vagas nas instituições públicas, sem a necessidade de maior aporte de recursos e de novos professores e, portanto, perfeitamente ajustada ao Programa de Aceleração do Crescimento que impedirá, por mais de uma década, as correções dos aviltantes salários dos professores e técnicos e administrativos e a contratação de novos servidores.

O injusto gargalo do vestibular – herança da ditadura empresarial- militar para acabar com os excedentes – seria multiplicado por dois: inicialmente, os estudantes fariam o inadequado ENEM e, ao final do escolão aconteceria a seleção meritocrática, no pior sentido da expressão:

· Aluno(a)s vocacionados para a docência poderão prestar seleção para licenciaturas específicas com mais 1 a 2 anos de formação profissional, o que habilita o aluno(a) a lecionar nos níveis básicos de educação;

· Aluno(a)s vocacionados para carreiras específicas poderão prestar seleção para cursos profissionais (p.ex. Arquitetura, Enfermagem, Direito, Medicina, Engenharia etc.), com mais 2 a 5 anos de formação, levando todos os créditos dos cursos do BI;

· Aluno(a)s com excepcional talento e desempenho, se aprovados em processos seletivos específicos, poderão ingressar em programas de pós-graduação, como o mestrado profissionalizante ou o mestrado acadêmico, podendo prosseguir para o Doutorado, caso pretenda tornar-se professor ou pesquisador (nota 7) (grifos e destaques meus).

Embora a proposta seja, à primeira vista, clara, o que facilita o debate público, os autores não mantêm a mesma clareza ao longo de todo o Documento. Nenhum projeto afirmaria que seu único objetivo é adequar a instituição ao mercado capitalista dependente e ao trabalho precarizado. Assim, ao longo do Documento, os autores buscam justificativas epistemológicas (interdisciplinarid ade) e sociais (a especialização precoce que estaria na base da evasão estudantil) para legitimá-lo. Frente aos grandes objetivos da proposta apontados acima e ao seu conteúdo concreto (uma terminalidade minimalista) , este texto não privilegiará essa linha de discussão, claramente acessória e ornamental, pois o cerne é o ajuste ao modelo Banco Mundial/ OCDE-Bolonha/ Schwartzman (nota 8)/ MEC.

O processo de Bolonha propugna a criação de um espaço europeu de educação superior que, na ótica dos que mercantilizam a educação, pode significar um robusto mercado educacional: essa é a expectativa da OCDE-Unesco que incentiva a difusão do comércio transfronteiriç o de educação superior por meio da EAD. O modelo preconizado pelo Relatório Attali, a graduação genérica em três anos, representa a possibilidade de um sistema abreviado e massificado que os mercadores gostariam de ver difundido em toda a Europa. Os que adotam o espelho europeu para ver a 'realidade brasileira´ fingem esquecer que está em curso na Europa um outro processo de articulação das instituições de ensino superior, reunindo apenas as universidades de maior prestígio e de tradição em pesquisa. Assim, estão em curso na Europa dois níveis de integração:

a) a do Pacto de Bolonha: nos moldes dos "escolões" que servem de barreira de contenção para que apenas uma pequena parcela tenha acesso à graduação plena, capaz de assegurar uma determinada formação, legitimando a precarização generalizada da maioria (no caso francês, 80% dos estudantes);

b) a das instituições de excelência, objetivando formar as classes dominantes e produzir conhecimento estratégico.

Tardiamente, esse modelo chegou como um paradigma a ser seguido nas políticas para a universidade brasileira, justo em um momento em que é consolidado o consenso na comunidade acadêmica de que a chamada reforma da educação superior expressa no PL 7200/06 é perniciosa para o futuro da educação pública. No Brasil, o modelo Attali/ Simon Schwartzman/ MEC é difundido como a nova "alternativa genial" da estação. Tal como o PROUNI, apresentado como "idéia genial" que possibilitaria vagas ditas públicas sem que o Estado necessitasse desembolsar um centavo sequer, o projeto Universidade Nova objetiva ampliar o número de vagas para estudantes nas instituições públicas sem alterar o padrão medíocre de financiamento da educação. A ausência de recursos novos para a educação superior pública (confirmada pelo PL 7200/06) é o fulcro do debate sobre as alternativas de graduação aligeirada.

Caberia uma análise específica das conseqüências desse modelo de bacharelado para as instituições privado-mercantis. Falar em barbárie é pouco para caracterizar essas implicações.

A comunidade universitária, os movimentos sociais e os setores sociais devotados à causa da educação pública não podem se furtar da luta para impedir que a velha agenda, sob o manto do "novo", destrua o importante patrimônio social que são as universidades públicas. No âmago dessas lutas, os protagonistas terão de discutir uma agenda alternativa para a educação superior brasileira com proposições objetivas e originais capazes de empolgar outros setores sociais, em especial da juventude. As lutas na América Latina confirmam que as universidades, embora instituições milenares, são instituições abertas ao tempo. Por isso, não podemos esmorecer frente a mais essa ofensiva contra-reformista, assumindo papel protagonista na defesa de uma agenda capaz de revolucionar a universidade brasileira.


Notas
1) No âmbito do MEC, os fundamentos do Projeto Universidade Nova estão no Projeto de Lei Orgânica (versão de dezembro de 04) que previa graduação em três anos (Art. 7) e o desmembramento da graduação em dois ciclos, o primeiro deles de "formação geral" (Art. 21). Conforme matéria de Demétrio Weber (MEC planeja criar 680 mil vagas nas federais, O Globo, 14/2/07, p.8), o MEC assume o projeto Universidade Nova e, para submeter as universidades ao projeto, irá exigir, em contrapartida ao repasse de modestos recursos (cerca de R$ 600 milhões /ano), a adoção da "pré-graduação" (3 anos), o sistema de cotas (em uma acepção liberal), a substituição do vestibular pelo precário ENEM, o uso da educação a distância, mesmo em cursos presenciais, entre outras medidas. Na matéria está explícito que o repasse condicionado de recursos objetiva burlar a autonomia universitária.

2) Universidade Nova: Descrição da Proposta. Em www.universidadeden ova.ufba. br/ acesso em 12/02/07.

3) Mansfield, Edwin 1998 Academic research and industrial innovation: An update of empirical findings Research Policy 26, p. 773–776

4) Universidade Nova: Descrição da Proposta (op.cit)

5) Idem.

6) Demétrio Weber, op.cit.

7) http://www.universidadenova.ufba.br/arquivo/Projeto_Universidad e_Nova.doc

8) No período mais recente a proposta de um curso "genérico" e de curta duração foi retomada por Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE na gestão Cardoso. Ver Antônio Góis. Sociólogo defende curso de curta duração para carentes. FSP, 03/06/2002. Em linhas gerais, a mesma alternativa é defendida no modelo Universidade Nova, difundida pelo reitor da UFBA.
Roberto Leher é professor da Faculdade de Educação da UFRJ e coordenador do Grupo de Trabalho Universidade e Sociedade do Clacso.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Plano Universidade Nova

Oi pessoal

estou enviando notícia que li no Unaberta sobre o projeto de Universidade Nova. A rapidez com que querem implantar esse projeto é assustadora... é muito importante começarmos a nos preparar para resistir a mais esse ataque do capital às nossas universidades.

Abraços!!

Kelem

educação

Plano Universidade Nova deve ser lançado em março

Ontem, 14 de fevereiro, às 21h22

Uma série de mudanças no ensino superior federal estão entre as propostas do Plano Universidade Nova de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais. O plano, que deve ser lançado em março e terá dez anos de duração, contados a partir deste ano. Se aderido por todas as universidades federais brasileiras, o plano deve aumentar em 30% a taxa de conclusão dos cursos e graduação. Outro aumento será no número de vagas nas instituições federais. Serão 680 mil vagas no ensino superior, um crescimento de 117%.

As novas medidas foram apresentadas através de um decreto presidencial distribuído a reitores. Entre as novas mudanças, está a extinção do vestibular e a utilização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de seleção e ingresso às instituições federais. Outra mudança diz respeito a relação professores por aluno. A média, que hoje é de 9,8 deve passar para 18 até 2012.

O presidente interino da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e Reitor da UFSC, Lúcio Botelho,acredita que o plano deve ser discutido entre as universidades antes de ser implantado. "Concordamos com as idéias, mas não com a metodologia", afirma.

Eduardo Wolff

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Relato da Reunião da Frente de Luta Contra a Reforma Universitária - 01/02/2007

Pessoal, Complementando a ata que o Boni fez, onde tinha um informe meu da reunião paralela a Bienal da UNE, da Frente de Luta Contra a Reforma Universitária, estou repassando para todos a relatoria da reunião que tirou alguns encaminhamentos importantes na luta contra a precarização do ensino superior brasileiro.
1 Será muito importante que possamos discutir daqui pra frente as medidas já aprovadas da Reforma Universitaria e a restante da Lei que está tramitando no congresso, além do debate da Universidade Nova, de autoria do reitor da UFBA, que vem apenas pra concretizar a massificação e precarização da educação. RODRIGO

Relato da Reunião da Frente de Luta contra a Reforma Universitária - SEPE, Rio de Janeiro - RJ, 01/02/2007
No dia primeiro de Fevereiro mais uma vez o movimento estudantil mostrou sua força na luta contra a Reforma Universitária. Cerca de 300 estudantes de todo o Brasil estiveram presentes para discutir os encaminhamentos desta luta, assim como o caráter privatizante deste projeto. A reunião contou com a presença de professores do ANDES/SN, com a fala inicial de Roberto Leher analisando o PL 7.200/06 e evidenciando a importância da luta para derrotar esta reforma.
Debates e Encaminhamentos:
Foi debatido muito sobre o conteúdo da reforma, a importância de nos mobilizarmos em nossos locais de atuação bem como realizar ações regionais e nacionais.
Outro ponto bastante tocado foi a necessidade de unificar nossa luta com os trabalhadores, principalmente no que tange ao combate conjunto contra as reformas neoliberais de Lula (sindical, trabalhista e da previdência), defendendo nossos direitos em contraposição à sua mercantilizaçã o.
Foi ressaltada a importância da unidade na luta contra a reforma reafirmando o chamado aos companheiros da Caravana pela Retirada do PL para que estes se integrem à frente.
Foi colocada a importância de se expandir a luta para outros setores da educação, como os secundaristas, e ligar esta luta com locais, como a luta por assistência estudantil ou contra o aumento das passagens.
Depois do debate foram feitos os seguintes encaminhamentos:
Encaminhamentos:
· Realização no dia 26 de Março, em São Paulo, de um Seminário da Educação e Contra Reforma Universitária. Há o indicativo de construir um ato no local, após a atividade.
· Participação no Encontro Contra as Reformas, chamado pela Intersindical e pela Conlutas para o dia 25 de março.
· Indicativo de criação de comitês estaduais e locais que realizem atos e encontros junto aos trabalhadores em educação.
· Elaboração de uma cartilha da Frente Contra a Reforma Universitária.
· Indicativo de uma Marcha Nacional ainda no 1º semestre de 2007, construída dentro da Campanha contra as Reformas.
· Construção do Boicote ao ENADE desde já, como atividade da Frente.
· Unificar a luta com as lutas contra o aumento de tarifa e pelo passe-livre
· Construção de um Site da Frente.

Outras entidades se integraram a Secretaria Executiva da Frente, agora composta por DCE UFF, DCE UFJF, DCE Unicamp, DCE UFMA, DCE UFES, DCE UNIFAP, DCE UFPE. ENECOS, EXNEEL, ENEFAR, FEMEH, DENEM, Grêmio do Julino (RS).

A reunião desta Secretaria será em Brasília, dia 09/02 (sexta-feira) , antes do Fórum de Executivas.
Rodrigo Fernandes Ribeiro

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Textos sobre a Reforma Universitária

Oi pessoal, como hoje, no debate entre as chapas, discutimos muito superficialmente as questões da Reforma Universitária, ENADE e Educação à DIstÂncia. Estou repassando um link do site do ANDES (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior) que tem muitas análises críticas desses projetos. O link é:
http://www.andes.org.br/imprensa/arquivo/default_reforma_universitaria.asp

Se alguém tem outras referências compartilhe!
Abraços!!!
Kelem Ghellere Rosso
Estudante de Ciências Sociais

terça-feira, 19 de setembro de 2006

ENADE - Sobre o texto do Colegiado de Curso

Gostei desse texto sobre o ENADE 2005, e a idéia de realizar um debate amplo para discutir o seu caráter é providencial, pois é preciso esclarecer a todos os estudantes e professores o que realmente essa avaliação significa. Agora que o primeiro relatório apareceu ficam claros alguns argumentos pelos quais o boicote foi realizado, assim como a eficácia dessa atitude. Primeiramente, é preciso esclarecer que essa avaliação não visa identificar as fraquezas do ensino superior, mas sim premiar e punir as instituições, destinando as verbas apenas àquelas que forem bem na prova. Como se a falta de qualidade de algumas universidades fosse culpa da própria instituição!! A política educacional adotada há anos no Brasil, com seguidos cortes de verbas, principalmente para as IFES, não é relacionada com a sua precarização. Essa prova serve apenas para ocultar o descaso do governo. Se se pretende avaliar as instituições sobre um mesmo parâmetro, no mínimo deveriam ser-lhes dadas as mesmas condições. Da mesma forma, ela atropela a autonomia das universidades, pois se o ENADE é padronizado para todo o Brasil, ele será determinante para a adequação dos conteúdos e currículos aos moldes do MEC, e acabará com as especificidades das regiões, onde muitos cursos possuem enfoques diferentes. Com relação aos estudantes que não podem se formar porque não compareceram à prova do ENADE, trata-se de uma chantagem do MEC, que além de ter preparado uma prova ridícula, divulgou de forma mais ridícula ainda (como fica claro no documento do colegiado). E a prova ainda passa a constar como um "componente curricular obrigatório", desrespeitando mais uma vez a autonomia curricular da universidade. Ao que me consta no currículo das ciências sociais não diz nada sobre ENADE. Outro elemento importante é que como as universidades privadas (graças à reforma universitária!!) agora também recebem verbas públicas, acaba-se criando uma conpetição entre as universidades. Inclusive existem agora em algumas instituições privadas cursinhos preparatórios para o ENADE...As universidades vão acabar se preocupando mais em preparar os estudantes para irem bem no exame do que para serem bons profissionais. Com o ENADE o MEC está nos avaliando. Mas e o MEC quem é que avalia? Esse é o caráter do boicote que foi organizado no ano passado, adotar uma postura crítica com relação a mais uma medida que nos é imposta. Para quem não sabe o ENADE faz parte do SINAES, que foi criado através de medida provisória (não que nossos congressistas não tivessem capacidade de elaborar uma dessas também...) Nós estudantes estamos começando a organização de debates com estudantes de outros cursos que irão realizar a prova em 2006, e essa discussão nas CSO será de grande valia.

EDUARDO PERONDI
aluno das Ciências Sociais