domingo, 8 de abril de 2007
Debate: REFORMA UNIVERSITÁRIA: Será o fim da Universidade Pública?
Falta de bolsas de pesquisa e de concursos para professores, filas no RU, pouquíssimas vagas e situação precária nas moradias estudantis, empresas privadas na UFSC: você faz parte desta realidade? Você vê a cada ano que passa uma desvalorização maior da Educação Pública e o crescimento desenfreado do ensino privado?
Venha para a Discussão!!
Ensino à Distância, ProUni, Universidade "Nova"...
REFORMA UNIVERSITÁRIA:
Será o fim da Universidade Pública?
com representantes do ANDES (Associação Nacional dos Docentes), Frente Nacional de Luta Contra a Reforma Universitária e SINTUFSC
Quinta, 12/04
18h30 no
Auditório do Centro Sócio-Econômico (CSE)
Organização:
CAs de Arquitetura, Economia, Enfermagem, Letras e Serviço Social
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Jornal do CALCS : ATUALIDADE E FUTURO DO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
Plano Universidade Nova - Fast delivery' diploma: a feição da contra-reforma da educação superior
O que justifica o uso dessa qualificação pelos "reformistas" Bornhausen, Chiarelli e Genro-Haddad? A constatação de que a universidade brasileira não está em sintonia com os anseios da sociedade (com Bourdieu, leia-se, do mercado). O maior problema, salientam, é o bolor europeu que recobre a universidade pública, sinal evidente de seu envelhecimento. O diagnóstico é o mesmo do Banco Mundial em seu tristemente famoso "O BM e o Ensino Superior: Lições Derivadas da Experiência" (1994): as universidades públicas, gratuitas, assentadas na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão não servem para a América Latina. Os governos da região deveriam adotar um modelo mais simplificado em instituições não universitárias e, preferencialmente, privadas ou resultantes de parcerias público-privadas a exemplo do Prouni.
Em todos os intentos de contra-reformas dos anos 1980, 1990 e 2000, o objetivo foi ajustá-las às necessidades da sociedade (mercado). Mas como aproximá-las do mercado capitalista dependente sem o risco de uma onda de críticas e mobilizações dos segmentos que insistem que a universidade pública não é uma instituição de e para o mercado? No caso da última moda, a Universidade Nova, a idéia, conforme os seus proponentes, é moldar a "concepção acadêmica" a um contexto que, por força das "demandas da Sociedade do Conhecimento e de um mundo do trabalho marcado pela desregulamentaçã o, flexibilidade e imprevisibilidade, certamente se consolidará como um dos modelos de educação superior de referência para o futuro próximo" (nota 2).
Mais claro impossível: o objetivo é converter o conhecimento em mercadoria ou em insumo para agregar valor a uma mercadoria, conforme requer a dita sociedade do conhecimento. Ora, conforme estudo de Mansfield (nota 3), as inovações tecnológicas não são feitas na universidade, mas na empresa. Assim, o objetivo da Universidade Nova é completamente estranho ao necessário debate sobre a função social das universidades no século XXI (e também ao próprio problema da inovação tecnológica realizada fora da universidade) . Se essa primeira indicação não bastasse, o projeto assume, ainda, que a universidade deve formar recursos humanos para um mundo do trabalho desregulamentado e flexível, expressões eufêmicas para designar trabalhadores sem direitos e precarizados. Novamente, cabe indagar: é esse o objetivo da universidade?
Na prática, como seria a "Universidade Nova"? Em termos gerais, a proposta prevê os "Bacharelados Interdisciplinares (BI) que irão propiciar formação universitária geral, como uma pré-graduação que antecederá a formação profissional de graduação e a formação científica ou artística da pós-graduação" (nota 4). A versão do MEC propugna que parte dessas poucas disciplinas deverá ser ministrada por meio de educação a distância, mesmo nos cursos presenciais. Ao final dessa rebaixada formação "o aluno da Universidade Nova poderá enfrentar o mundo do trabalho, com diploma de bacharel em área geral de conhecimento (Artes, Humanidades, Ciências, Tecnologias) " (nota 5).
Com esses cursos invertebrados de curta duração (3 anos), seria possível massificar o acesso ao ensino superior (117% até 2012) (nota 6), reduzindo a pressão por vagas nas instituições públicas, sem a necessidade de maior aporte de recursos e de novos professores e, portanto, perfeitamente ajustada ao Programa de Aceleração do Crescimento que impedirá, por mais de uma década, as correções dos aviltantes salários dos professores e técnicos e administrativos e a contratação de novos servidores.
O injusto gargalo do vestibular – herança da ditadura empresarial- militar para acabar com os excedentes – seria multiplicado por dois: inicialmente, os estudantes fariam o inadequado ENEM e, ao final do escolão aconteceria a seleção meritocrática, no pior sentido da expressão:
· Aluno(a)s vocacionados para a docência poderão prestar seleção para licenciaturas específicas com mais 1 a 2 anos de formação profissional, o que habilita o aluno(a) a lecionar nos níveis básicos de educação;
· Aluno(a)s vocacionados para carreiras específicas poderão prestar seleção para cursos profissionais (p.ex. Arquitetura, Enfermagem, Direito, Medicina, Engenharia etc.), com mais 2 a 5 anos de formação, levando todos os créditos dos cursos do BI;
· Aluno(a)s com excepcional talento e desempenho, se aprovados em processos seletivos específicos, poderão ingressar em programas de pós-graduação, como o mestrado profissionalizante ou o mestrado acadêmico, podendo prosseguir para o Doutorado, caso pretenda tornar-se professor ou pesquisador (nota 7) (grifos e destaques meus).
Embora a proposta seja, à primeira vista, clara, o que facilita o debate público, os autores não mantêm a mesma clareza ao longo de todo o Documento. Nenhum projeto afirmaria que seu único objetivo é adequar a instituição ao mercado capitalista dependente e ao trabalho precarizado. Assim, ao longo do Documento, os autores buscam justificativas epistemológicas (interdisciplinarid ade) e sociais (a especialização precoce que estaria na base da evasão estudantil) para legitimá-lo. Frente aos grandes objetivos da proposta apontados acima e ao seu conteúdo concreto (uma terminalidade minimalista) , este texto não privilegiará essa linha de discussão, claramente acessória e ornamental, pois o cerne é o ajuste ao modelo Banco Mundial/ OCDE-Bolonha/ Schwartzman (nota 8)/ MEC.
O processo de Bolonha propugna a criação de um espaço europeu de educação superior que, na ótica dos que mercantilizam a educação, pode significar um robusto mercado educacional: essa é a expectativa da OCDE-Unesco que incentiva a difusão do comércio transfronteiriç o de educação superior por meio da EAD. O modelo preconizado pelo Relatório Attali, a graduação genérica em três anos, representa a possibilidade de um sistema abreviado e massificado que os mercadores gostariam de ver difundido em toda a Europa. Os que adotam o espelho europeu para ver a 'realidade brasileira´ fingem esquecer que está em curso na Europa um outro processo de articulação das instituições de ensino superior, reunindo apenas as universidades de maior prestígio e de tradição em pesquisa. Assim, estão em curso na Europa dois níveis de integração:
a) a do Pacto de Bolonha: nos moldes dos "escolões" que servem de barreira de contenção para que apenas uma pequena parcela tenha acesso à graduação plena, capaz de assegurar uma determinada formação, legitimando a precarização generalizada da maioria (no caso francês, 80% dos estudantes);
b) a das instituições de excelência, objetivando formar as classes dominantes e produzir conhecimento estratégico.
Tardiamente, esse modelo chegou como um paradigma a ser seguido nas políticas para a universidade brasileira, justo em um momento em que é consolidado o consenso na comunidade acadêmica de que a chamada reforma da educação superior expressa no PL 7200/06 é perniciosa para o futuro da educação pública. No Brasil, o modelo Attali/ Simon Schwartzman/ MEC é difundido como a nova "alternativa genial" da estação. Tal como o PROUNI, apresentado como "idéia genial" que possibilitaria vagas ditas públicas sem que o Estado necessitasse desembolsar um centavo sequer, o projeto Universidade Nova objetiva ampliar o número de vagas para estudantes nas instituições públicas sem alterar o padrão medíocre de financiamento da educação. A ausência de recursos novos para a educação superior pública (confirmada pelo PL 7200/06) é o fulcro do debate sobre as alternativas de graduação aligeirada.
Caberia uma análise específica das conseqüências desse modelo de bacharelado para as instituições privado-mercantis. Falar em barbárie é pouco para caracterizar essas implicações.
A comunidade universitária, os movimentos sociais e os setores sociais devotados à causa da educação pública não podem se furtar da luta para impedir que a velha agenda, sob o manto do "novo", destrua o importante patrimônio social que são as universidades públicas. No âmago dessas lutas, os protagonistas terão de discutir uma agenda alternativa para a educação superior brasileira com proposições objetivas e originais capazes de empolgar outros setores sociais, em especial da juventude. As lutas na América Latina confirmam que as universidades, embora instituições milenares, são instituições abertas ao tempo. Por isso, não podemos esmorecer frente a mais essa ofensiva contra-reformista, assumindo papel protagonista na defesa de uma agenda capaz de revolucionar a universidade brasileira.
Notas
1) No âmbito do MEC, os fundamentos do Projeto Universidade Nova estão no Projeto de Lei Orgânica (versão de dezembro de 04) que previa graduação em três anos (Art. 7) e o desmembramento da graduação em dois ciclos, o primeiro deles de "formação geral" (Art. 21). Conforme matéria de Demétrio Weber (MEC planeja criar 680 mil vagas nas federais, O Globo, 14/2/07, p.8), o MEC assume o projeto Universidade Nova e, para submeter as universidades ao projeto, irá exigir, em contrapartida ao repasse de modestos recursos (cerca de R$ 600 milhões /ano), a adoção da "pré-graduação" (3 anos), o sistema de cotas (em uma acepção liberal), a substituição do vestibular pelo precário ENEM, o uso da educação a distância, mesmo em cursos presenciais, entre outras medidas. Na matéria está explícito que o repasse condicionado de recursos objetiva burlar a autonomia universitária.
2) Universidade Nova: Descrição da Proposta. Em www.universidadeden ova.ufba. br/ acesso em 12/02/07.
3) Mansfield, Edwin 1998 Academic research and industrial innovation: An update of empirical findings Research Policy 26, p. 773–776
4) Universidade Nova: Descrição da Proposta (op.cit)
5) Idem.
6) Demétrio Weber, op.cit.
7) http://www.universidadenova.uf
8) No período mais recente a proposta de um curso "genérico" e de curta duração foi retomada por Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE na gestão Cardoso. Ver Antônio Góis. Sociólogo defende curso de curta duração para carentes. FSP, 03/06/2002. Em linhas gerais, a mesma alternativa é defendida no modelo Universidade Nova, difundida pelo reitor da UFBA.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Plano Universidade Nova
Oi pessoal
estou enviando notícia que li no Unaberta sobre o projeto de Universidade Nova. A rapidez com que querem implantar esse projeto é assustadora... é muito importante começarmos a nos preparar para resistir a mais esse ataque do capital às nossas universidades.
Abraços!!
Kelem
educação
Plano Universidade Nova deve ser lançado em março
Uma série de mudanças no ensino superior federal estão entre as propostas do Plano Universidade Nova de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais. O plano, que deve ser lançado em março e terá dez anos de duração, contados a partir deste ano. Se aderido por todas as universidades federais brasileiras, o plano deve aumentar em 30% a taxa de conclusão dos cursos e graduação. Outro aumento será no número de vagas nas instituições federais. Serão 680 mil vagas no ensino superior, um crescimento de 117%.
As novas medidas foram apresentadas através de um decreto presidencial distribuído a reitores. Entre as novas mudanças, está a extinção do vestibular e a utilização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de seleção e ingresso às instituições federais. Outra mudança diz respeito a relação professores por aluno. A média, que hoje é de 9,8 deve passar para 18 até 2012.
O presidente interino da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e Reitor da UFSC, Lúcio Botelho,acredita que o plano deve ser discutido entre as universidades antes de ser implantado. "Concordamos com as idéias, mas não com a metodologia", afirma.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Relato da Reunião da Frente de Luta Contra a Reforma Universitária - 01/02/2007
1 Será muito importante que possamos discutir daqui pra frente as medidas já aprovadas da Reforma Universitaria e a restante da Lei que está tramitando no congresso, além do debate da Universidade Nova, de autoria do reitor da UFBA, que vem apenas pra concretizar a massificação e precarização da educação. RODRIGO
Relato da Reunião da Frente de Luta contra a Reforma Universitária - SEPE, Rio de Janeiro - RJ, 01/02/2007
No dia primeiro de Fevereiro mais uma vez o movimento estudantil mostrou sua força na luta contra a Reforma Universitária. Cerca de 300 estudantes de todo o Brasil estiveram presentes para discutir os encaminhamentos desta luta, assim como o caráter privatizante deste projeto. A reunião contou com a presença de professores do ANDES/SN, com a fala inicial de Roberto Leher analisando o PL 7.200/06 e evidenciando a importância da luta para derrotar esta reforma.
Debates e Encaminhamentos:
Foi debatido muito sobre o conteúdo da reforma, a importância de nos mobilizarmos em nossos locais de atuação bem como realizar ações regionais e nacionais.
Outro ponto bastante tocado foi a necessidade de unificar nossa luta com os trabalhadores, principalmente no que tange ao combate conjunto contra as reformas neoliberais de Lula (sindical, trabalhista e da previdência), defendendo nossos direitos em contraposição à sua mercantilizaçã o.
Foi ressaltada a importância da unidade na luta contra a reforma reafirmando o chamado aos companheiros da Caravana pela Retirada do PL para que estes se integrem à frente.
Foi colocada a importância de se expandir a luta para outros setores da educação, como os secundaristas, e ligar esta luta com locais, como a luta por assistência estudantil ou contra o aumento das passagens.
Depois do debate foram feitos os seguintes encaminhamentos:
Encaminhamentos:
· Realização no dia 26 de Março, em São Paulo, de um Seminário da Educação e Contra Reforma Universitária. Há o indicativo de construir um ato no local, após a atividade.
· Participação no Encontro Contra as Reformas, chamado pela Intersindical e pela Conlutas para o dia 25 de março.
· Indicativo de criação de comitês estaduais e locais que realizem atos e encontros junto aos trabalhadores em educação.
· Elaboração de uma cartilha da Frente Contra a Reforma Universitária.
· Indicativo de uma Marcha Nacional ainda no 1º semestre de 2007, construída dentro da Campanha contra as Reformas.
· Construção do Boicote ao ENADE desde já, como atividade da Frente.
· Unificar a luta com as lutas contra o aumento de tarifa e pelo passe-livre
· Construção de um Site da Frente.
Outras entidades se integraram a Secretaria Executiva da Frente, agora composta por DCE UFF, DCE UFJF, DCE Unicamp, DCE UFMA, DCE UFES, DCE UNIFAP, DCE UFPE. ENECOS, EXNEEL, ENEFAR, FEMEH, DENEM, Grêmio do Julino (RS).
A reunião desta Secretaria será em Brasília, dia 09/02 (sexta-feira) , antes do Fórum de Executivas.
Rodrigo Fernandes Ribeiro
terça-feira, 17 de outubro de 2006
Textos sobre a Reforma Universitária
http://www.andes.org.br/imprensa/arquivo/default_reforma_universitaria.asp
Se alguém tem outras referências compartilhe!
Abraços!!!
Kelem Ghellere Rosso
Estudante de Ciências Sociais
terça-feira, 19 de setembro de 2006
ENADE - Sobre o texto do Colegiado de Curso
EDUARDO PERONDI
aluno das Ciências Sociais
