quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Jornal do CALCS : ATUALIDADE E FUTURO DO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
Plano Universidade Nova - Fast delivery' diploma: a feição da contra-reforma da educação superior
O que justifica o uso dessa qualificação pelos "reformistas" Bornhausen, Chiarelli e Genro-Haddad? A constatação de que a universidade brasileira não está em sintonia com os anseios da sociedade (com Bourdieu, leia-se, do mercado). O maior problema, salientam, é o bolor europeu que recobre a universidade pública, sinal evidente de seu envelhecimento. O diagnóstico é o mesmo do Banco Mundial em seu tristemente famoso "O BM e o Ensino Superior: Lições Derivadas da Experiência" (1994): as universidades públicas, gratuitas, assentadas na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão não servem para a América Latina. Os governos da região deveriam adotar um modelo mais simplificado em instituições não universitárias e, preferencialmente, privadas ou resultantes de parcerias público-privadas a exemplo do Prouni.
Em todos os intentos de contra-reformas dos anos 1980, 1990 e 2000, o objetivo foi ajustá-las às necessidades da sociedade (mercado). Mas como aproximá-las do mercado capitalista dependente sem o risco de uma onda de críticas e mobilizações dos segmentos que insistem que a universidade pública não é uma instituição de e para o mercado? No caso da última moda, a Universidade Nova, a idéia, conforme os seus proponentes, é moldar a "concepção acadêmica" a um contexto que, por força das "demandas da Sociedade do Conhecimento e de um mundo do trabalho marcado pela desregulamentaçã o, flexibilidade e imprevisibilidade, certamente se consolidará como um dos modelos de educação superior de referência para o futuro próximo" (nota 2).
Mais claro impossível: o objetivo é converter o conhecimento em mercadoria ou em insumo para agregar valor a uma mercadoria, conforme requer a dita sociedade do conhecimento. Ora, conforme estudo de Mansfield (nota 3), as inovações tecnológicas não são feitas na universidade, mas na empresa. Assim, o objetivo da Universidade Nova é completamente estranho ao necessário debate sobre a função social das universidades no século XXI (e também ao próprio problema da inovação tecnológica realizada fora da universidade) . Se essa primeira indicação não bastasse, o projeto assume, ainda, que a universidade deve formar recursos humanos para um mundo do trabalho desregulamentado e flexível, expressões eufêmicas para designar trabalhadores sem direitos e precarizados. Novamente, cabe indagar: é esse o objetivo da universidade?
Na prática, como seria a "Universidade Nova"? Em termos gerais, a proposta prevê os "Bacharelados Interdisciplinares (BI) que irão propiciar formação universitária geral, como uma pré-graduação que antecederá a formação profissional de graduação e a formação científica ou artística da pós-graduação" (nota 4). A versão do MEC propugna que parte dessas poucas disciplinas deverá ser ministrada por meio de educação a distância, mesmo nos cursos presenciais. Ao final dessa rebaixada formação "o aluno da Universidade Nova poderá enfrentar o mundo do trabalho, com diploma de bacharel em área geral de conhecimento (Artes, Humanidades, Ciências, Tecnologias) " (nota 5).
Com esses cursos invertebrados de curta duração (3 anos), seria possível massificar o acesso ao ensino superior (117% até 2012) (nota 6), reduzindo a pressão por vagas nas instituições públicas, sem a necessidade de maior aporte de recursos e de novos professores e, portanto, perfeitamente ajustada ao Programa de Aceleração do Crescimento que impedirá, por mais de uma década, as correções dos aviltantes salários dos professores e técnicos e administrativos e a contratação de novos servidores.
O injusto gargalo do vestibular – herança da ditadura empresarial- militar para acabar com os excedentes – seria multiplicado por dois: inicialmente, os estudantes fariam o inadequado ENEM e, ao final do escolão aconteceria a seleção meritocrática, no pior sentido da expressão:
· Aluno(a)s vocacionados para a docência poderão prestar seleção para licenciaturas específicas com mais 1 a 2 anos de formação profissional, o que habilita o aluno(a) a lecionar nos níveis básicos de educação;
· Aluno(a)s vocacionados para carreiras específicas poderão prestar seleção para cursos profissionais (p.ex. Arquitetura, Enfermagem, Direito, Medicina, Engenharia etc.), com mais 2 a 5 anos de formação, levando todos os créditos dos cursos do BI;
· Aluno(a)s com excepcional talento e desempenho, se aprovados em processos seletivos específicos, poderão ingressar em programas de pós-graduação, como o mestrado profissionalizante ou o mestrado acadêmico, podendo prosseguir para o Doutorado, caso pretenda tornar-se professor ou pesquisador (nota 7) (grifos e destaques meus).
Embora a proposta seja, à primeira vista, clara, o que facilita o debate público, os autores não mantêm a mesma clareza ao longo de todo o Documento. Nenhum projeto afirmaria que seu único objetivo é adequar a instituição ao mercado capitalista dependente e ao trabalho precarizado. Assim, ao longo do Documento, os autores buscam justificativas epistemológicas (interdisciplinarid ade) e sociais (a especialização precoce que estaria na base da evasão estudantil) para legitimá-lo. Frente aos grandes objetivos da proposta apontados acima e ao seu conteúdo concreto (uma terminalidade minimalista) , este texto não privilegiará essa linha de discussão, claramente acessória e ornamental, pois o cerne é o ajuste ao modelo Banco Mundial/ OCDE-Bolonha/ Schwartzman (nota 8)/ MEC.
O processo de Bolonha propugna a criação de um espaço europeu de educação superior que, na ótica dos que mercantilizam a educação, pode significar um robusto mercado educacional: essa é a expectativa da OCDE-Unesco que incentiva a difusão do comércio transfronteiriç o de educação superior por meio da EAD. O modelo preconizado pelo Relatório Attali, a graduação genérica em três anos, representa a possibilidade de um sistema abreviado e massificado que os mercadores gostariam de ver difundido em toda a Europa. Os que adotam o espelho europeu para ver a 'realidade brasileira´ fingem esquecer que está em curso na Europa um outro processo de articulação das instituições de ensino superior, reunindo apenas as universidades de maior prestígio e de tradição em pesquisa. Assim, estão em curso na Europa dois níveis de integração:
a) a do Pacto de Bolonha: nos moldes dos "escolões" que servem de barreira de contenção para que apenas uma pequena parcela tenha acesso à graduação plena, capaz de assegurar uma determinada formação, legitimando a precarização generalizada da maioria (no caso francês, 80% dos estudantes);
b) a das instituições de excelência, objetivando formar as classes dominantes e produzir conhecimento estratégico.
Tardiamente, esse modelo chegou como um paradigma a ser seguido nas políticas para a universidade brasileira, justo em um momento em que é consolidado o consenso na comunidade acadêmica de que a chamada reforma da educação superior expressa no PL 7200/06 é perniciosa para o futuro da educação pública. No Brasil, o modelo Attali/ Simon Schwartzman/ MEC é difundido como a nova "alternativa genial" da estação. Tal como o PROUNI, apresentado como "idéia genial" que possibilitaria vagas ditas públicas sem que o Estado necessitasse desembolsar um centavo sequer, o projeto Universidade Nova objetiva ampliar o número de vagas para estudantes nas instituições públicas sem alterar o padrão medíocre de financiamento da educação. A ausência de recursos novos para a educação superior pública (confirmada pelo PL 7200/06) é o fulcro do debate sobre as alternativas de graduação aligeirada.
Caberia uma análise específica das conseqüências desse modelo de bacharelado para as instituições privado-mercantis. Falar em barbárie é pouco para caracterizar essas implicações.
A comunidade universitária, os movimentos sociais e os setores sociais devotados à causa da educação pública não podem se furtar da luta para impedir que a velha agenda, sob o manto do "novo", destrua o importante patrimônio social que são as universidades públicas. No âmago dessas lutas, os protagonistas terão de discutir uma agenda alternativa para a educação superior brasileira com proposições objetivas e originais capazes de empolgar outros setores sociais, em especial da juventude. As lutas na América Latina confirmam que as universidades, embora instituições milenares, são instituições abertas ao tempo. Por isso, não podemos esmorecer frente a mais essa ofensiva contra-reformista, assumindo papel protagonista na defesa de uma agenda capaz de revolucionar a universidade brasileira.
Notas
1) No âmbito do MEC, os fundamentos do Projeto Universidade Nova estão no Projeto de Lei Orgânica (versão de dezembro de 04) que previa graduação em três anos (Art. 7) e o desmembramento da graduação em dois ciclos, o primeiro deles de "formação geral" (Art. 21). Conforme matéria de Demétrio Weber (MEC planeja criar 680 mil vagas nas federais, O Globo, 14/2/07, p.8), o MEC assume o projeto Universidade Nova e, para submeter as universidades ao projeto, irá exigir, em contrapartida ao repasse de modestos recursos (cerca de R$ 600 milhões /ano), a adoção da "pré-graduação" (3 anos), o sistema de cotas (em uma acepção liberal), a substituição do vestibular pelo precário ENEM, o uso da educação a distância, mesmo em cursos presenciais, entre outras medidas. Na matéria está explícito que o repasse condicionado de recursos objetiva burlar a autonomia universitária.
2) Universidade Nova: Descrição da Proposta. Em www.universidadeden ova.ufba. br/ acesso em 12/02/07.
3) Mansfield, Edwin 1998 Academic research and industrial innovation: An update of empirical findings Research Policy 26, p. 773–776
4) Universidade Nova: Descrição da Proposta (op.cit)
5) Idem.
6) Demétrio Weber, op.cit.
7) http://www.universidadenova.uf
8) No período mais recente a proposta de um curso "genérico" e de curta duração foi retomada por Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE na gestão Cardoso. Ver Antônio Góis. Sociólogo defende curso de curta duração para carentes. FSP, 03/06/2002. Em linhas gerais, a mesma alternativa é defendida no modelo Universidade Nova, difundida pelo reitor da UFBA.
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
CA: Informativo da Semana de Ciências Sociais e para os calouros
CA: Informativo da Semana de Ciências Sociais e para os calouros
O Desafiar das Ciências Sociais
O que dizer às pessoas que vão iniciar (e aos que já iniciaram) os estudos sobre as sociedades e os grupos sociais? Bem Vindos seria uma delas, porém não seria a frase certa, “Proletários de todo o mundo unívos”, também não sei...Até porque não é apenas uma frase, mas são várias as palavras, que como todos verão, vão depender em que contexto são ditas, quais são seus sentidos e por quem elas são interpretadas. Neste caso, temos pouco a dizer além daquilo que todos já sabem e que descobrirão com o tempo durante o Curso de Ciências Sociais. O pouco que se pode dizer nestas poucas linhas é: Pensem, mas pensem muito...
E se todos tiverem paciência e perseverança, cabe refletir e agir sobre qual a importância de cada um em sala de aula, no nosso Centro Acadêmico, na faculdade, com relação ao conhecimento e como cidadãos ocidentais comuns. Assim sendo, as primeiras coisas que serão ditas dizem respeito à autonomia intelectual de cada um e a segunda fala da necessidade de termos uma organização que possa promover os interesses da nossa classe estudantil, do nosso curso, de cada indivíduo que dele faça parte e que consiga atuar na arena do conhecimento e da práxis social.
No que diz respeito ao conhecimento científico devemos desenvolver suas imensas possibilidades e abordá-lo nas mais variadas perspectivas, para que a realidade e a sociedade possam se tornar inteligível. Também não podemos nós render a inércia cientificista que está baseada na arrogância intelectual e que se esconde atrás de uma “neutralidade” alienada e inconseqüente. Considerando mais especificamente nosso curso, você irá a aprender a “olhar, ouvir e escrever”, conhecerá a obra e um pouco da vida dos “Três Porquinhos”, entre outras pessoas com teorias complicadas e instigantes.
Já com relação a nossa entidade, o CALCS - Centro Acadêmico Livre de Ciências Sociais, ele está passando por uma fase de reativação e reconstrução que quer fazer as coisas acontecerem e para isso é muito importante a participação e a contribuição de todos. Sejam quais forem as propostas, idéias e críticas, entendemos que é na diferença que se cresce e na diversidade que se construí. Assim sendo, não dependemos apenas de um método de organização para que alcancemos o que queremos, mas sim de uma boa base teórica, uma boa participação e com certeza um horizonte que possa transcorrer livremente pelos interesses específicos dos estudantes, dos indivíduos como seres pensantes e até ideais que transcendam os muros da universidade intervindo na sociedade (opa!!! mas a UFSC não tem muros. Será???).
Enfim, para pensarmos e praticarmos – não apenas vivermos de abstrações e teorias – o CA está organizando a Semana de Ciências (confira a programação) entre os dias à do mês de Abril. Entre as questões acima ilustradas, as ciências sociais, alguns temas específicos de cada disciplina, a estrutura do curso e qualquer coisa importante que nos dê na “telha” serão discutidas e pensadas nesta semana. Todos estão convidados!
Voltando a falar sobre o que dizer aos que estão ingressando na faculdade, aos que estão iniciando mais um semestre, aqueles que estão começando suas monografias e aqueles que não estão iniciando nada só enchendo o saco, nós vamos dizer, ao invés de Bem Vindos, Bom Desafio! Nos encontramos na “enorme” sala do CALCS, pelo campus universitário e pelos corredores do CFH – Cowboys From Hell, ou melhor me desculpem, Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Até mais pessoal!!! Saudações Estudantis!!!
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
1º Seminário Nacional sobre Ensino de Sociologia no Nível MédiO
Data: 1 e 02 de março de 2007
Local: Faculdade de Educação e FFLCH da USP
Objetivo: Este evento visa a promover uma discussão ampla de caráter nacional sobre as conseqüências da obrigatoriedade do ensino de sociologia na escola média brasileira: questões relativas ao ensino da disciplina, como conteúdos programáticos, metodologias de ensino, recursos e materiais didáticos; sobre cursos de licenciatura e formação de professores; pesquisas sobre o ensino da disciplina; constituição de uma comunidade de professores de sociologia no ensino médio (Comissão de Ensino da SBS).
Público Alvo: Professores de Metodologia do Ensino de Ciências Sociais de Universidades
e Faculdades, Professores de Sociologia das Redes Públicas e Privadas, Alunos - Licenciandos de Ciências Sociais, Profissionais de Educação das Secretarias de Educação.
Realização: SBS - Sociedade Brasileira de Sociologia, com o apoio de: MEC – Ministério da Educação; UNICAMP / Pró-Reitoria de Graduação; USP / Pró-Reitoria de Cultura e Extensão; USP / Pró-Reitoria de Graduação; USP / FE - Faculdade de Educação; USP / FFLCH – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas; UNICAMP / Departamento de Ciência Política; UNICAMP / Departamento de Sociologia; USP / Departamento de Sociologia.
João Vitor Mastelari Gonçalez da SilvA
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Plano Universidade Nova
Oi pessoal
estou enviando notícia que li no Unaberta sobre o projeto de Universidade Nova. A rapidez com que querem implantar esse projeto é assustadora... é muito importante começarmos a nos preparar para resistir a mais esse ataque do capital às nossas universidades.
Abraços!!
Kelem
educação
Plano Universidade Nova deve ser lançado em março
Uma série de mudanças no ensino superior federal estão entre as propostas do Plano Universidade Nova de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais. O plano, que deve ser lançado em março e terá dez anos de duração, contados a partir deste ano. Se aderido por todas as universidades federais brasileiras, o plano deve aumentar em 30% a taxa de conclusão dos cursos e graduação. Outro aumento será no número de vagas nas instituições federais. Serão 680 mil vagas no ensino superior, um crescimento de 117%.
As novas medidas foram apresentadas através de um decreto presidencial distribuído a reitores. Entre as novas mudanças, está a extinção do vestibular e a utilização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de seleção e ingresso às instituições federais. Outra mudança diz respeito a relação professores por aluno. A média, que hoje é de 9,8 deve passar para 18 até 2012.
O presidente interino da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e Reitor da UFSC, Lúcio Botelho,acredita que o plano deve ser discutido entre as universidades antes de ser implantado. "Concordamos com as idéias, mas não com a metodologia", afirma.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Reunião dos CAs sobre descaso com a assistência estudantil e moradores da CEU!
Organização do CALCS e Móveis!
Hoje depois da reunião, eu, o Boni, a Natália e a Barbara demos uma olhada em alguns móveis que o cfh estava tombando para o patrimônio e felizmente conseguimos uma mesa de computador em bom estado, um ficheiro igual ao que já havia no CA e nos desfizemos daquela mesa velha e daquela armário pré-histórico...
Fomos atrás do computador tbm, que já estará disponível e atualizado para quinta-feira ser instalado, faltou apenas o monitor (que está com o fábio) e um estabilizador (que precisamos arranjar)... Fomos no patrimônio infelizmente o cara disse que não tinha tempo para nos mostrar o que tinha lá, então não pudemos entrar no galpão...sofá ele disse que não tem e estabilizador tbm só tem estourado...
No mais demos uma ajeitada no CA que já tá um pouco mais arejado...
é isso
Eduardo
